O patriotismo não é apenas em campo de futebol
O Brasil inteiro foi testemunha, mais uma vez, de um fenômeno que poderíamos chamar de uma “onda de patriotismo”. Foi o que vimos acontecer durante as semanas em que o país esteve disputando as partidas da Copa do Mundo na África do Sul. Vimos bandeiras verde-amarelas espalhadas por todos os cantos, cobrindo automóveis, desfraldadas em janelas, em prédios, em fachadas de estabelecimentos comerciais, em escolas e repartições públicas. Observamos também famílias inteiras vestidas com as cores nacionais. Tudo isso resultado de uma empolgação com a participação brasileira no maior campeonato de futebol do planeta.
Isso não é novidade. Esta onda de patriotismo acontece de quatro em quatro anos, quando o Brasil disputa o esporte mais popular em nossa nação. Nessa época, parece que a grande maioria dos habitantes deste país, cerca de 190 milhões de pessoas, passa a aceitar e se orgulhar com o fato de ter nascido aqui. Eu acredito que poderia resumir essa “onda de nacionalismo” como realmente uma explosão de orgulho por aquilo que o brasileiro notabilizou-se ao redor do mundo mostrando saber fazer melhor. Saber jogar futebol.
Percebo que esse patriotismo motivado pelo orgulho por essa habilidade é um nacionalismo datado com hora para começar e acabar. E foi isso que vimos, mais uma vez o brasileiro começar a ser nacionalista, ser patriota, em um momento, para, num momento seguinte, deixar de sê-lo.
Neste dia 7 de setembro acredito ser a data ideal para questionar esse tipo de comportamento. Li em algum lugar, a seguinte frase: “Ser patriota é amar seu país assim como ama seus próprios filhos”. Acredito que essa frase é um tanto quanto radical. É difícil encontrar um amor tão incondicional quanto o amor de uma mãe, de um pai, pelos seus filhos.
Mas se amamos nossos filhos, somos conduzidos tacitamente a amar nosso país, pois este é o legado mais importante que podemos deixar para eles. Muito mais importante que heranças e outros bens materiais.
É deixando como herança um país justo, desenvolvido e honesto, que estaremos salvaguardando todos os direitos de nossos filhos, mesmo quando estes forem incapazes de batalhar com seus próprios meios. Isso porque deixaremos para nossos filhos um país correto, que respeita as pessoas, que trata cada um de nós como um filho.
Acredito que todos nós conhecemos a célebre frase que diz: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”. Esta frase é atribuída ao presidente norte-americano John Kennedy, que foi brutalmente assassinado em 1964. Ela foi citada em uma época em que o país atravessava uma fase difícil, no início de uma guerra, vivendo uma onda de protestos. Ficava claro para todo o mundo que Kennedy procurava chamar a população para contribuir para a solução dos problemas que viviam.
Hoje, posso dizer que essa frase tem muito a ver com o momento em que vivemos, uma época em que o país apresenta indicadores claros de um incontestável crescimento, mas que ainda encontra-se preso a sinais de uma fragilidade social muito grande. Ainda sofremos com uma desigualdade gigantesca na distribuição de renda, que faz com que soframos nos setores de saúde pública, de segurança e de educação, por exemplo.
São esses exemplos de problemas que somente conseguiremos enfrentar, com resultados positivos, no momento em que todos nós nos conscientizarmos de nosso papel dentro de uma sociedade. É exatamente disso que se trata um país: um grupo de pessoas unidas por valores iguais.
O patriotismo, olhando dessa forma, não deve ser exercido apenas a cada quatro anos, mas sim deve ser exercido diariamente. O patriotismo não pode ser apenas o elo que nos une como agremiação esportiva, mas como valor que solidifique uma sociedade organizada.
Patriotismo, não deve ser uma venda a nos cegar para aceitar tudo que vem de cima, todas as leis, todas as ordens. Ser patriota é muito mais questionar em nome da coletividade do que abaixar a cabeça em nome de poucos!
Este dia 7 de setembro de 2010, esta Semana da Pátria, este Mês da Pátria podem e devem ser marcos em nossas vidas como a data em que nos demos conta de que não estamos sozinhos nesse país. Somos todos parte desse imenso time. O Brasil está vestido de verde-amarelo, torcendo por nós, brasileiros, há mais de 500 anos. Vamos torcer pelo Brasil, também, todos os dias, todos os meses, todas as semanas, independentemente de Copa do Mundo. Simplesmente porque precisamos aprender que quando torcemos pelo Brasil, estamos torcendo em favor de cada um de nós.
Isso que estou exortando toda a população a fazer, essa exaltação ao nacionalismo, é algo que faço com muito orgulho. Procuro contribuir para o fortalecimento desse nacionalismo, tão importante para o nosso povo, tanto quanto na minha função de parlamentar, quanto como empresário, como bandeirante e pioneiro que fui em Rondônia. Vejo esta como a melhor forma de fazer esse país ser realmente de cada um dos brasileiros: estimulando esse conceito de Nação, de Pátria e de coletividade. Uma boa Semana da Pátria para todos nós, brasileiros.
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